O vapor de uma barraca de rua, numa panela de casa
Ao receber a tigelinha, primeiro chega o aroma doce da hortelã e do anis. Depois o cominho, a alcaravia, a casca de laranja e um pouco de pimenta. Com um palito de madeira procura-se o caracol dentro da concha e sorve-se o caldo quente. O babbouche marroquino (Babbouche / بَبُّوش) é um copo de rua que vai numa direção completamente diferente da dos escargots da cozinha francesa.
Ao querer prepará-lo em casa, o que primeiro dá problema é o caracol. Não é um prato para os caracóis do quintal ou do parque. Neste artigo usam-se escargots de uso alimentar já cozidos, em conserva ou congelados, e as conchas, se encontradas, servem só de ambientação; se não, faz-se só com a carne. O importante não é haver concha, mas passar os aromas das ervas e das especiarias para o caldo e aquecê-lo sem ferver forte.
Os ingredientes parecem exigir um pouco mais de coragem do que a harira ou o cuscuz (em japonês), mas o preparo não é complicado. Se pensar nele como um prato que não doura a carne, mas aquece o molusco no vapor das especiarias, dá para chegar bem perto numa panela de casa.
O babbouche é um caldo temperado de caracóis que se toma no Marrocos. No mundo anglófono costuma ser descrito como snail soup e cozinha lentamente num caldo muito aromático com tomilho, anis, hortelã, alcaravia, alcaçuz etc. É conhecido que se serve em tigelinhas em barracas de rua e mercados, e que se tira a carne com um palito e se bebe também o caldo.
Ingredientes (4 porções)

Não use caracóis colhidos no quintal ou no parque. Em casa não é realista eliminar com segurança os riscos de parasitas, agrotóxicos, metais pesados ou os derivados da alimentação deles. Use escargots cozidos, congelados ou produtos alimentares com concha vendidos como alimento, e aqueça conforme o rótulo. Mesmo os de conserva, use logo depois de abrir e, se sobrar, guarde na geladeira num recipiente limpo.
Onde comprar os ingredientes
Os escargots procuram-se em lojas de produtos importados, fornecedores para restaurantes ou em conservas e congelados pela internet. O alho, o limão, a hortelã e o azeite de oliva encontram-se sem problema em qualquer supermercado. O que mais vale ter à mão são as especiarias que dão o aroma próprio do babbouche e um pilão para quebrar as especiarias inteiras.
O ras el hanout vale a pena ter se for continuar cozinhando pratos marroquinos. No babbouche não é o protagonista, mas dá um aroma redondo que o cominho e o anis sozinhos não dão.
O cominho é o eixo que evita que este caldo seja uma simples sopa de ervas. Pode começar com cominho em pó, mas se amassar um pouco o cominho em grão, o vapor ganha um aroma doce.
Se moer por completo as especiarias inteiras, o aroma fica chapado. Com um pilão que só as quebre grosso, é mais fácil fazer o caldo pegar o aroma sem ficar arenoso demais.
Preparo: extrair o aroma e depois aquecer a carne
O babbouche não é um prato que melhora fervendo em fogo forte. Se primeiro se passa o aroma para o óleo, depois se faz a infusão em água e por fim se aquecem os escargots, mesmo com conserva evita-se o cheiro forte e o aroma do caldo fica em primeiro plano.
O que manter e o que trocar ao usar ingredientes de outros lugares
O que se deve respeitar é o aroma «doce e levemente herbal» da hortelã, do anis, do cominho, da alcaravia e do tomilho. Se cortar demais, fica uma simples sopa de molusco. Já a concha, reunir também o alcaçuz e a goma arábica ou cozinhar por muito tempo como na grande panela de uma barraca podem ter menor prioridade numa cozinha de casa.
| Ingrediente em dúvida | Por que manter | Substituto realista |
|---|---|---|
| Caracol | É o núcleo do prato. Dá textura e aparência | Escargots de conserva ou congelados de uso alimentar. Não colher silvestres |
| Anis | O aroma doce próprio do babbouche | Sementes de erva-doce. O anis-estrelado é muito forte: no máximo 1 estrela |
| Alcaçuz | O caráter herbal do caldo de lá | Não é necessário. O aroma doce se compensa com anis e hortelã |
| Goma arábica | É mencionada como ingrediente que arredonda o caldo | Omitir em casa. Um pouco de extrato de tomate dá redondeza |
| Concha | Cria a forma de comer de barraca | Opcional. Se for só carne, toma-se como sopa na tigela |
O que mais se discute é o critério dessas substituições. O babbouche é um prato de ingredientes pouco comuns, e se só se persegue o exótico, afasta-se da cozinha do leitor. Se for prepará-lo em casa, decida antes de ir às compras três coisas: «usar escargots seguros como alimento», «conservar o eixo do aroma» e «não forçar a concha nem os ingredientes herbais»; assim será mais reproduzível.
Onde costuma falhar
| Falha | Causa | Como corrigir |
|---|---|---|
| O caldo amarga | Cozinhou muito a folha de hortelã ou ferveu forte | Folhas no final, só talos em fogo suave. Se amargar, aliviar com 2–3 colheres de sopa de água |
| Cheira a peixe | Não tirou o líquido da conserva ou pôs a água do descongelamento | Lavar na peneira e escorrer. Deixar 2 minutos em água com limão |
| Fica farinhento | Especiarias finas demais | Quebrar as inteiras só grosso. Se usar pó, respeitar as colheres |
| A carne fica dura | Ferveu forte por muito tempo | Manter a fervura suave; se já estava cozido, pensar que só se aquece |
| Só tem gosto de tomate | Muito extrato de tomate | No máximo 1 colher de sopa. O aroma vem das especiarias e da hortelã |
Como comer e com o que acompanhar
Mais do que um prato principal, o babbouche é uma «tigelinha quente». Com pão para recolher o caldo fica mais fácil de comer, e servido antes do zaalouk (em japonês) ou do tagine (em japonês) marroquinos, cria na mesa uma entrada de barraca. Como o aroma é intenso, combinam melhor acompanhamentos com acidez de tomate, pepino, limão e azeitona do que um prato cremoso pesado na mesma mesa.
É mais seguro não deixar o picante forte demais na panela. Mantenha a pimenta em 1/4 de colher de chá e quem quiser mais acrescenta flocos de pimenta ou harissa num pratinho. Se comerem em família, faça a primeira tigela mais suave e ajuste o sal e o limão na mesa: falha menos.
Conservação e reaquecimento
O melhor aroma é o do mesmo dia. Se sobrar, passe a carne e o caldo juntos para um recipiente limpo, deixe perder calor e leve à geladeira.
| Forma de conservar | Referência | Reaquecimento |
|---|---|---|
| Geladeira | 1 dia | Numa panelinha em fogo baixo. Quando ferver suave, 2 minutos e desligar |
| Congelado | Não recomendado | A carne tende a endurecer |
| Levar para refeição coletiva | Não recomendado | É marisco; evite deixar muito tempo em temperatura ambiente |
Ao reaquecer, não volte a ferver em fogo forte. Passe para uma panelinha em fogo baixo e aqueça só 2 minutos, quando saírem bolhas pequenas na borda do caldo. A hortelã e o limão perdem aroma, então acrescente um pouco depois de reaquecer.
Perguntas frequentes
Sem concha não é babbouche?
Com concha tem a aparência e a forma de comer de uma barraca, mas também pode ser feito só com a carne de escargots de uso alimentar. O importante é aquecê-la no caldo aromático e comer na tigelinha com palitos ou pão. Sem concha toma-se mais facilmente como sopa, então até serve para a primeira vez.
Usa-se o líquido da conserva de escargots?
Não. Conforme o produto, o líquido da conserva tem mais gosto de metal ou é mais salgado e pode estragar o aroma de hortelã e anis do babbouche. Lave-os levemente numa peneira, escorra e coloque no caldo.
Dá para fazer sem alcaçuz nem goma arábica?
Dá. Menciona-se que no caldo de lá se usam alcaçuz e goma arábica, mas em casa é mais fácil reproduzir se não forem considerados imprescindíveis. Se conservar o anis, a hortelã, o cominho, a alcaravia e o tomilho, a direção do aroma se aproxima o suficiente.
Pode-se servir a crianças ou a quem não tolera picante?
Sem a pimenta, o picante diminui muito. Ainda assim, o aroma da hortelã, do anis e da alcaravia é peculiar. Se for servir pela primeira vez, ponha pouca quantidade numa tigelinha com pão e limão, para que cada um ajuste o aroma.
Posso preparar e usar caracóis silvestres?
Não os use. Em casa é difícil garantir a segurança, e há risco de parasitas, da alimentação deles e de produtos químicos. Use sempre escargots vendidos como alimento. Neste ponto não há substituto.
Fontes
- Wikipedia, "Babbouche" https://en.wikipedia.org/wiki/Babbouche
- The Independent, "Moroccan snails: from street food to upscale snack" https://www.independent.co.uk/life-style/food-and-drink/moroccan-snails-from-street-food-to-upscale-snack-2341596.html
- Wikipedia, "Moroccan cuisine" https://en.wikipedia.org/wiki/Moroccan_cuisine













