Churrasco do Brasil: carne bovina espetada e assada na brasa, coberta de sal grosso
Preparo30 min
Cozimento1 h
Rende4 porções
CulináriaCulinária brasileira

Churrasco: a carne na brasa do Brasil, feita em casa

Receita de churrasco, a parrilla de carvão do sul do Brasil, para fazer em casa: qual corte de picanha escolher, como usar o sal grosso, o fogo de carvão ou de grill do forno, vinagrete e farofa, temperatura interna, conservação e o que fazer com as sobras, da compra ao empratamento.

Total: 1 h 30 minDificuldade: Intermediário

Cooking flow

Modo de preparo

STEP 11 / 8

Temperar a carne em temperatura ambiente

30 min

Deixando a carne bovina em temperatura ambiente antes de assar, no preparo do churrasco
Se tirar da geladeira 30 minutos antes e tirar o frio do centro, evita-se que asse de forma desigual

Não se usa faca nem fogo. Tire a carne da geladeira, cubra sem apertar com filme plástico e deixe 30 minutos em temperatura ambiente. Se cozinhar fria, a diferença de temperatura entre a superfície e o centro é grande e fica um "centro frio". No verão ou em dias de calor, coloque no máximo 30 minutos e pare quando o centro da carne já não estiver gelado.

STEP 22 / 8

Cortar e espetar a carne

10 min

Dobrando a carne em forma de C e espetando em espetos de metal
Ao dobrar em C a espessura é uniforme e o cozimento é estável

Não se usa o fogo. Corte a picanha, deixando a capa de gordura, em pedaços de 3 a 4 cm de espessura seguindo a fibra. Dobre as fatias em forma de C e espete em espetos de metal, com a gordura para fora. A fraldinha fica numa só peça e as salsichas se espetam de duas em duas. Se a espessura da carne for uniforme, há menos diferença no resultado.

STEP 33 / 8

Cobrir com sal grosso

5 min

Cobrindo a superfície da carne com bastante sal de rocha grosso
Se pensar 'talvez seja demais', é a quantidade certa. Tira-se batendo depois de assar

Não se usa o fogo. Logo antes de cozinhar, cubra toda a superfície da carne com bastante sal grosso. Como referência, use de 1 a 1.5 % do peso da carne, embora se o sal for de grão grande não haja problema se ficar um pouco mais na superfície, porque o excesso se retira batendo depois de assar. Na explicação da Terra Gaucha Brazilian Steakhouse também se apresenta o costume da tradição gaúcha de bater entre si dois espetos já assados para tirar o sal.

STEP 44 / 8

Acender o carvão

20–30 min

O carvão coberto de cinza branca e brilhando em laranja, sinal para começar a assar
Quando o carvão se cobre de cinza branca, está pronto. Nesse estado, o calor alto estável dura de 30 a 40 minutos

Coloque o carvão na churrasqueira e acenda com um acendedor. Espere o carvão ficar coberto de cinza branca e a superfície brilhar em laranja, a cerca de 250–300 °C. Ponha a mão a 10 cm sobre o carvão e conte "1, 2, 3": se queimar e você retirar, é o sinal de fogo forte. Junte o carvão para um lado para criar uma zona de fogo forte e outra de fogo baixo.

STEP 55 / 8

Assar primeiro as salsichas

15 min

Salsichas douradas sobre a grelha, com a pele estourada e o suco aparecendo
As salsichas são o 'show de abertura' do churrasco. Esperar enquanto se bebe uma cerveja é a forma correta de passar o tempo

Fogo médio, numa posição a 10–15 cm do carvão. Vá girando as salsichas para dourar toda a superfície e aqueça cerca de 15 minutos, até a pele esticar e soltar gordura. Se usar salsichas cruas, a referência é uma temperatura interna de 71 °C. Se servir antes como entrada, a mesa não fica vazia enquanto espera a carne.

STEP 66 / 8

Assar a picanha

16–20 min

Assando carne espetada na churrasqueira de carvão, com a gordura pingando e subindo fumaça
Não feche a tampa. O churrasco se faz sempre em fogo aberto

Fogo forte; coloque o espeto a 10–12 cm do carvão. Não feche a tampa. Asse de 8 a 10 minutos com o lado da gordura para cima, vire e asse mais 8 a 10 minutos. O sinal é que a superfície tenha um dourado aromático e que a gordura pingue e levante um pouco de fumaça. Se queimar com força, passe 30 segundos para a zona de fogo baixo e volte quando o fogo acalmar.

STEP 77 / 8

Cortar a camada externa e servir (assado repetido)

5 min

Cortando em fatias, sobre uma tábua de madeira, a picanha assada, com o corte rosado e suculento
Olhe o rosado do corte e o dourado do exterior para decidir se deve voltar ao fogo

Retire do fogo, deixe descansar 1 minuto e corte em fatias finas de 1 a 2 cm a camada externa dourada, e sirva nos pratos. Essa é a essência do estilo "rodízio". Se o centro estiver mal passado e soltar muito suco vermelho, devolva o restante da carne à zona de fogo forte e asse de novo de 4 a 5 minutos. Repetir três ou quatro vezes cortar, devolver e voltar a cortar permite levar sempre carne quente à mesa.

STEP 88 / 8

Assar a fraldinha

12–16 min

Corte fino de fraldinha assada, com o contraste entre o centro rosado e a superfície dourada
Corte a fraldinha contra a fibra. A cada mordida transborda o umami

Fogo forte; asse a 10–12 cm do carvão de 6 a 8 minutos de cada lado. A fraldinha é mais fina que a picanha, então retire quando a superfície estiver dourada e, ao pressionar, a carne recuperar a elasticidade. Se cortar perpendicular à fibra em fatias de 1 cm, é mais fácil de mastigar.

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Ingredients

Ingredientes

1 / 3

A carne principal

Ingrediente Quantidade Substitutos e observações
Picanha bovina (em peça) 800 g Pode ser substituída por rump ou patinho em peça. Escolha com a capa de gordura
Fraldinha bovina (em peça) 400 g Também serve costela bovina em peça
Salsichas grossas 8 unidades (cerca de 400 g) Salsichas tipo viena grossas
Sal grosso (de rocha) 4–5 colheres (sopa) Sal do Himalaia ou marinho grosso. Não serve o refinado
2 / 3

Vinagrete (molho brasileiro)

Ingrediente Quantidade Substitutos e observações
Tomate (médio) 3 unidades Melhor maduro. Com tomates-cereja, de 12 a 15
Cebola (média) 1 unidade A branca se aproxima mais do original. Também serve a roxa
Pimentão verde 2 unidades Também 1/2 unidade de pimentão vermelho e 1/2 de verde
Salsinha 1 maço (cerca de 20 g) Também serve a salsa comum
Vinagre de vinho branco 4 colheres (sopa) Também vinagre de álcool ou de cereais. O suco de limão não: muda o sabor
Azeite de oliva 3 colheres (sopa) Recomenda-se extravirgem
Sal 1 colher (chá) Ajuste provando
Pimenta-do-reino a gosto Moída grossa
3 / 3

Farofa (farinha crocante)

Ingrediente Quantidade Substitutos e observações
Farinha de rosca (seca, fina) 100 g O autêntico é a farinha de mandioca
Manteiga com sal 3 colheres (sopa) Margarina não. O sabor da manteiga é a chave
Bacon (em fatias finas) 3 fatias Picado em cubos de 5 mm
Alho 2 dentes Picado
Cebola (pequena) 1/4 de unidade Picada
Sal uma pitada Pouco, pelo sal do bacon
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O cheiro do carvão e o som do suco: assim começa o churrasco

Nos vastos pampas do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. O gado trazido pelos conquistadores espanhóis no século XVI virou selvagem nestas terras, e os gaúchos (os vaqueiros) preparavam a refeição diária sobre uma fogueira. Cravavam em diagonal no chão, junto ao fogo, um espeto (a taquara, de bambu) com um grande pedaço de carne e assavam devagar. O único tempero era o sal grosso. Essa é a origem do churrasco.

No Brasil atual, o churrasco é um acontecimento nacional que reúne nos fins de semana família e amigos, nas churrascarias (os restaurantes especializados) ou no quintal de casa. O estilo "rodízio", em que o garçom percorre as mesas com enormes espetos e corta a carne diante do cliente, também se espalhou para fora do Brasil.

O atrativo do churrasco está em tirar, não em somar. Não há marinadas complexas nem molhos doces. Carne grossa, sal grosso e calor de brasa. Há poucas coisas a respeitar, mas se errar o momento de pôr o sal ou a distância do fogo, vira de repente uma simples carne dura na grelha.

Nesta receita reorganizamos a forma de assar do sul do Brasil para a cozinha de casa, com carne que se encontra num supermercado. É um prato da mesma mesa brasileira que a feijoada, mas em casa o importante não é "fazer tudo como lá": faz-se sem falhar em quatro pontos, a espessura da carne, o sal grosso, o tempo de descanso e o acompanhamento ácido.

Sobre o nome "churrasco"

Em português se pronuncia "churrasco"; em outros idiomas o termo é usado igual. O nome dos restaurantes, "churrascaria", significa "lugar onde se serve churrasco".


A história do prato: a cultura do fogo que os gaúchos criaram

Uma fileira de espetos de churrasco com carne bovina espetada
Os espetos da churrascaria. Cada um é um corte diferente e se provam por ordem, como manda a tradição

Dos vaqueiros do pampa à churrasqueira nacional

A história do churrasco está muito ligada às planícies do pampa sul-americano. No século XVI, os conquistadores espanhóis levaram gado e cavalos à bacia do Rio da Prata. Quando no século XVIII se desmoronaram as missões jesuíticas (reduções), o gado que se administrava tornou-se selvagem e se dispersou pelo pampa da Argentina, do Uruguai e do sul do Brasil.

Os vaqueiros que tocavam o gado e montavam a cavalo nessa imensa planície são os "gaúchos". O gaúcho, mestiço de indígenas, colonos portugueses e espanhóis, construiu uma cultura própria. Sua comida era extremamente simples: carne bovina espetada e assada na fogueira, e chimarrão que se passava de mão em mão. Essa comida de fogueira é a origem do "churrasco".

A forma de assar dos gaúchos tinha uma característica. Cravavam em diagonal no chão o espeto de bambu (taquara) e assavam à distância da fonte de calor, o método chamado "fogo de chão". Com o calor radiante, e não com fogo direto, o exterior de um grande pedaço fica crocante e o interior macio e suculento. Essa técnica se mantém tal qual nas churrascarias atuais.

A rápida expansão das churrascarias

A partir das estradas e dos restaurantes à beira dos caminhos do Rio Grande do Sul, as churrascarias foram surgindo, e depois se difundiram por São Paulo e Rio de Janeiro como "rodízio" (serviço contínuo de carnes). Mais tarde se espalharam também para outros países. Hoje há churrascarias de estilo rodízio no mundo todo, e o churrasco conquistou reconhecimento internacional como cultura alimentar representativa do Brasil.

A cultura gaúcha continua viva

No Rio Grande do Sul, todo 20 de setembro se celebra a Revolução Farroupilha, com desfiles de gente vestida com o traje tradicional gaúcho e churrasco assado nas praças. Não é só uma técnica culinária: é a própria identidade do sul do Brasil.


Guia de cortes: os protagonistas do churrasco

Cortes bovinos como picanha, fraldinha e costela sobre uma tábua de cortar
O melhor do churrasco é comparar os cortes. Conhecer a personalidade de cada um é o primeiro passo

O melhor do churrasco é provar vários cortes. Nas churrascarias chegam à mesa de 10 a 15 tipos de carne um atrás do outro, porque a cultura de carne sul-americana, como se comenta também no resumo da culinária sul-americana (em japonês), é muito exigente com os cortes. Para reproduzir em casa, com 4 ou 5 tipos já se consegue o clima de festa.

Picanha: a grande protagonista

A picanha é a protagonista absoluta do churrasco. É a parte superior da anca do boi. Em inglês chama-se "top sirloin cap" ou "rump cap".

Sua característica principal é a grossa capa de gordura (fat cap) que cobre uma face. Ao assar com a gordura, ela derrete e espalha o sabor por toda a carne, de modo que fica crocante por fora e suculenta por dentro. Assa-se sempre com a capa de gordura.

Fraldinha: um corte que dá mais sabor quanto mais se mastiga

A fraldinha é a parte inferior da fralda do boi. O nome, que em português lembra uma "fraldinha", vem de que se tira da região da articulação do quadril. Tem uma fina marmoreio e é um corte magro de sabor que se desenvolve ao mastigar. Os churrasqueiros gaúchos cortam perpendicular à fibra para tirar a maior maciez.

Costela: carne com osso que exige tempo

A costela é a costela do boi (carne com as costelas). Na América do Sul está arraigada a cultura de assar com força a carne com osso. Espeta-se com o osso e assa-se devagar de 4 a 6 horas, e é o corte que mais tempo exige do churrasco. Em casa costuma ser difícil de tempo, então não a tratamos na receita principal deste artigo, mas com uma churrasqueira vale muito a pena tentar.

Linguiça: a salsicha que se assa primeiro

A linguiça é um embutido de porco de origem portuguesa, temperado com alho, páprica e orégano. Mais suave que o chouriço, no churrasco ocupa o lugar de "entrada": assa-se primeiro e se come com a cerveja. Pode ser substituída por uma salsicha grossa.


Como conseguir os ingredientes e o que substituir

Carne chiando sobre uma churrasqueira de carvão
Com ingredientes daqui, se respeitar a forma de assar de lá, o sabor é surpreendentemente autêntico

A picanha é um corte que no Brasil se encontra fácil, mas fora do país é difícil nos supermercados comuns. Pode-se conseguir em açougues especializados ou on-line, mas se quiser fazer com mais facilidade, com os seguintes substitutos também fica muito bom.

Guia de substitutos da carne

Corte original Onde se consegue Substituto (compra-se no supermercado) Observações
Picanha Açougue especializado ou on-line Coxão duro / peça de rump ou de patinho Tem pouca gordura, então se untar a superfície com azeite se aproxima
Fraldinha Alguns supermercados Peça de fralda bovina / fralda (skirt) A fralda (skirt steak) tem boa gordura e é a textura mais próxima
Costela Açougue especializado Costelão bovino em peça (com osso) Também serve a costela para churrasco do supermercado
Linguiça Lojas de produtos brasileiros Salsicha grossa / salsicha defumada Acrescentando alho e páprica se aproxima o sabor
Como conseguir picanha pela internet ou no açougue

Se procurar "picanha", "rump cap" ou "top sirloin cap" num açougue ou numa loja on-line, encontrará peças de 500 g a 1 kg. Escolha uma com a capa de gordura (fat cap). Evite as já "aparadas", sem gordura. O que decide o sabor do churrasco é essa gordura.

Como escolher o sal grosso

O tempero do churrasco é só sal grosso. Por isso a qualidade do sal influi diretamente no sabor.

No Brasil usa-se o "sal grosso", um sal marinho grosso do nordeste do país. Estas são as opções:

Tipo de sal Características Facilidade de uso
Sal grosso de rocha (do Himalaia etc.) O grão grande pode ser retirado batendo depois de assar Adequado
Sal grosso marinho Fácil de encontrar no supermercado Segunda opção
Sal refinado (de mesa) O grão é muito fino, penetra logo e tende a salgar demais Não recomendado

O importante é o tamanho do grão. No churrasco cobre-se a superfície da carne com bastante sal grosso e, depois de assar, bate-se o espeto para tirar o excesso. Se o grão for grande fica na superfície e não penetra demais no interior, de modo que por fora se nota o umami do sal e por dentro o sabor é suave.


Ingredientes (4 porções)

Para quem tem alergias

Este prato contém carne bovina, suína (salsichas e bacon), trigo (farinha de rosca e algumas salsichas) e laticínios (manteiga). Os alérgenos das salsichas variam conforme o produto, então confira sempre a rotulagem da embalagem.


Preparo

Preparo prévio (30 minutos)

Assado na brasa (40–60 minutos)

Ponto de cozimento e temperatura segura

Nas churrascarias prefere-se a carne no ponto de mal passada a ao ponto, com o interior rosado. Para ir pelo lado seguro em casa, a referência para bifes e assados de boi é chegar a 63 °C de temperatura interna e deixar descansar 3 minutos. A carne moída e as salsichas cruas, 71 °C no centro. Se forem comer crianças, idosos, gestantes ou pessoas com defesas baixas, não se guie só pela elasticidade ao pressionar com o dedo: use um termômetro.


Acompanhamentos: os coadjuvantes que recebem a gordura da carne

O churrasco já é muito bom só com carne, mas com acompanhamentos muda o sabor e se come sem enjoar até o fim. Nas churrascarias autênticas sempre estão estes três.

Vinagrete (molho brasileiro)

Vinagrete: tomate, cebola e salsinha picados finos, o molho multiuso do Brasil
Parece-se com o pico de gallo mexicano, mas ao estilo brasileiro usa-se vinagre em vez de limão

O vinagrete é o molho clássico brasileiro, parecido com o pico de gallo mexicano. Mas não leva suco de limão: termina-se com vinagre de vinho branco e azeite de oliva. Não é picante; a acidez e a crocância dos legumes deixam de novo a boca limpa depois da carne gordurosa.

Primeiro corte 3 tomates em cubos de 5 mm (não precisa tirar as sementes). Pique também 1 cebola em cubos de 5 mm e deixe 5 minutos em água para tirar o ardor. Corte 2 pimentões em cubos de 5 mm e pique a salsinha.

Junte tudo numa tigela e acrescente 4 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco, 3 colheres (sopa) de azeite de oliva, 1 colher (chá) de sal e um pouco de pimenta-do-reino, e misture. Se deixar na geladeira 30 minutos ou mais, os sabores se integram. O ponto-chave é deixar a cebola de molho em água. Se omitir, o ardor é forte demais e atrapalha o sabor da carne.

Farofa (farinha crocante)

Farofa: farinha de mandioca refogada com manteiga e bacon, um acompanhamento crocante
Esta textura crocante absorve o suco do churrasco e fica irresistível

A farofa é, na origem, farinha de mandioca refogada com manteiga, e é o acompanhamento nacional que vai com quase todos os pratos brasileiros. Se não encontrar a farinha de mandioca, substitui-se por farinha de rosca; se achar, compare as duas versões e verá bem a diferença. Na feijoada a farofa também é um acompanhamento imprescindível.

Numa frigideira em fogo médio refogue o bacon (picado em cubos de 5 mm) de 4 a 5 minutos, até ficar crocante. Acrescente 3 colheres (sopa) de manteiga, o alho picado e a cebola picada e refogue 2 minutos.

Junte de uma vez 100 g de farinha de rosca e refogue de 8 a 10 minutos em fogo médio sem parar de mexer. Está pronta quando a farinha de rosca tomar um marrom claro e, ao inclinar a frigideira, correr solta. Tempere com uma pitada de sal.

Fogo da farofa

Com a farofa, a condição absoluta é "mexer sem parar". Se parar, em 5 segundos queima. Desligue no limite entre o marrom claro e o marrom. Com o calor residual continua pegando cor, então o truque é retirar um pouco clara.

Pão de queijo

É o pão de queijo macio que sempre aparece nas churrascarias autênticas. Como leva polvilho (amido de mandioca) é sem glúten, crocante por fora e macio por dentro. Se fizer em casa, estes são os ingredientes para cerca de 15 unidades.

Ingrediente Quantidade Observações
Polvilho (amido de tapioca) 200 g Encontra-se na seção de confeitaria
Queijo ralado (parmesão) 50 g Mais quantidade fica mais gostoso
Ovo 1
Leite 100 ml
Azeite de oliva 2 colheres (sopa)
Sal 1/2 colher (chá)

Preparo: ferva o leite com o azeite de oliva numa panelinha e despeje de uma vez sobre o polvilho; amasse. Quando estiver morno, acrescente o ovo e o queijo e amasse mais um pouco; faça bolas do tamanho de uma bola de pingue-pongue e asse de 20 a 25 minutos a 180 °C. Está pronto quando a superfície rachar e tomar uma leve cor.


Como reproduzir em casa: carvão, gás e grill do forno

O churrasco já servido: carne em fatias com vinagrete e farofa
Também em casa, com uma boa apresentação consegue-se o clima de churrascaria

O churrasco é na origem um prato de brasa, mas pode-se reproduzir bem adaptando ao ambiente da sua casa.

Método 1: churrasqueira de carvão (primeira opção)

Se tiver uma churrasqueira de carvão para o quintal ou a varanda, é o que mais se aproxima do original. O carvão vegetal de boa qualidade mantém um fogo estável; é melhor evitar o carvão de mangue, de temperatura muito variável.

O truque é "a distância do fogo". O churrasco não se assa em fogo direto, e sim com calor radiante a 10–15 cm. O ideal é uma grelha com a altura regulável, ou o estilo de empilhar tijolos e apoiar os espetos.

Método 2: churrasqueira a gás ou fogareiro (segunda opção)

Com uma churrasqueira a gás, assa-se pelo método de "duas zonas": um lado em fogo forte e o outro apagado. No lado forte doura-se a superfície e passa-se ao lado apagado para terminar com o calor residual. Não dá o defumado do carvão, mas tem a vantagem de a temperatura ser fácil de controlar.

Também é cômodo pôr uma chapa para carne sobre um fogareiro portátil. Mas faz fumaça, então faça sempre sob uma coifa ou ao ar livre.

Método 3: grill do forno + forno (para interior)

É um truque para quem mora em apartamento e não pode usar carvão. Primeiro doure a superfície da carne com o grill forte do forno (de 3 a 4 minutos por lado) e depois passe ao forno a 200 °C de 10 a 15 minutos. É um método em duas etapas: o calor alto do grill produz a "reação de Maillard" (o sabor do dourado) e o calor uniforme do forno cozinha por dentro.

Método 4: frigideira + forno (o mais fácil)

Aqueça uma frigideira de ferro fundido em fogo forte até soltar fumaça e ponha a carne sem óleo. Doure 2 a 3 minutos de cada lado e depois leve a frigideira ao forno a 200 °C de 8 a 12 minutos. Está pronta quando a temperatura interna chegar a 55–60 °C. Não se usam espetos e assa-se como um bife, mas o sabor continua bem de churrasco.

Com qualquer método, a regra é "deixar descansar"

Não corte a carne assim que sair: embrulhe em papel-alumínio e deixe descansar de 5 a 10 minutos. O suco que se concentrou no centro durante o cozimento se redistribui por toda a peça com o descanso. Se cortar sem descansar, o suco escorre pela tábua.


Variações para não ficar só na carne

Variações do churrasco: também se espetam frutas e legumes
Se espetar também ingredientes que não são carne, a mesa ganha um respiro de sabor

Espetos de fruta de abacaxi e banana

Nas churrascarias brasileiras, entre as carnes também saem espetos de fruta. Corte o abacaxi em rodelas de 2 cm de espessura, espete, polvilhe açúcar com canela e asse no carvão. A doçura caramelizada e a acidez compensam a gordura da carne: são um limpador de paladar natural. Os espetos de banana madura também são um clássico, e com sorvete de baunilha sobre a polpa derretida são uma boa sobremesa.

Queijo na brasa ao estilo queijo coalho

O queijo coalho do Brasil é um queijo especial que não derrete ao esquentar; espetado e assado fica crocante por fora e macio e elástico por dentro. Um substituto próximo é o halloumi (o queijo do Chipre que não derrete ao assar). Corte em pedaços de 2 cm, espete e asse em fogo médio de 3 a 4 minutos de cada lado.

Frango com bacon

Corte coxa de frango em pedaços de uma mordida, envolva em bacon e espete. O "frango com bacon" é um dos pratos populares das churrascarias. Tempere o frango com sal, alho e páprica e asse devagar em fogo médio de 20 a 25 minutos, até o centro do frango chegar a 75 °C ou mais.

Churrasco ao estilo japonês com missô

No Brasil há muita imigração japonesa, e às vezes o churrasco dos nikkeis incorpora elementos japoneses. Se marinar a carne bovina 2 horas em 2 colheres (sopa) de missô branco, 1 colher (sopa) de mirin e 1 dente de alho e depois assar, o sabor fermentado do missô e o aroma do carvão combinam surpreendentemente bem. Com daikon ralado e ponzu é um "churrasco ao estilo japonês". A ideia de marinar antes de assar é comum às culturas de churrasco do mundo todo.

Espetos de legumes para dar um respiro ao fogo

Os espetos de pimentão, abobrinha, cogumelos e milho fazem um prato fresco entre as carnes. Unte com azeite de oliva e sal grosso e asse de 10 a 15 minutos em fogo médio. Com os legumes vai bem o chimichurri (o molho de ervas argentino feito com salsa, alho, orégano, vinagre e azeite de oliva), que acrescenta acidez.


Dicas de cozinha: não falhe com o estilo gaúcho em casa

O sal, "logo antes de assar"

Se pôr o sal mais de 30 minutos antes, a osmose tira a água da carne e a superfície fica encharcada. É mais fácil pôr de 5 a 10 minutos antes de assar. Nas churrascarias autênticas espeta-se a carne, salga-se e logo se aproxima do fogo, de modo que a superfície sela antes de o sal penetrar.

Não tire de todo a gordura antes de assar

Embora dê vontade de tirar a gordura, no churrasco é a gordura que sustenta o resultado. Enquanto se assa, a gordura derrete e cobre a superfície com uma película que impede a evaporação da água. Além disso, a gordura derretida que cai sobre o carvão levanta uma fumaça que acrescenta um sabor defumado à carne. Se não gosta de gordura, basta afastá-la no prato ao comer.

Com o assado repetido não se serve carne fria

Uma falha comum no churrasco de casa é assar toda a carne de uma vez, pôr no prato e comer carne fria na segunda metade. O churrasco consiste em "cortar em fatias finas a parte assada e devolver o restante ao fogo". Se de uma mesma peça tirar fatias em 3 ou 4 vezes, a mesa tem sempre carne recém-feita. Essa é a essência do "rodízio" das churrascarias.

O carvão, em "duas zonas"

Se espalhar o carvão de maneira uniforme, não tem onde afastar a carne que vai queimar. Se juntar o carvão num lado e criar uma "zona de fogo forte" e uma de "fogo baixo", usa a primeira para dourar a superfície e a segunda para cozinhar por dentro. Se a carne estiver prestes a queimar, passe-a para a zona de fogo baixo. Esse método de duas zonas é também uma técnica básica da cultura de churrasco estadunidense, conhecida como "indirect grilling" (assado indireto).


O contexto do prato: o papel do fogo compartilhado e suas mudanças

Um bife de picanha com a capa de gordura dourada
A gordura da picanha derrete com o carvão e faz com que a carne magra seque com mais dificuldade

A cultura de "o homem assa" e suas mudanças

No Brasil considerou-se tradicionalmente que "churrasco é coisa de homem". Nos churrascos familiares, o marido ou o pai ficava diante da churrasqueira e a esposa ou a mãe preparava saladas e acompanhamentos, uma divisão de papéis que durou muito.

Essa cultura vem da pecuária dos gaúchos. Para os homens que tocavam o gado na estância, assar a carne na fogueira era uma tarefa diária, e o churrasco é seu prolongamento.

Mas na atualidade também se veem mudanças. Há cada vez mais mulheres churrasqueiras, e também têm sucesso mulheres influenciadoras que compartilham receitas de churrasco nas redes sociais. Respeita-se a tradição, mas é uma época em que todos podem desfrutar do churrasco.

Por que o churrasco e o futebol coincidem no mesmo dia

No Brasil, o churrasco fica mais animado nos dias em que há jogo de futebol. Principalmente durante a Copa do Mundo, organizam-se festas de churrasco nas casas e nos bares do país inteiro. Instala-se a churrasqueira diante da televisão, assa-se carne enquanto se vê o jogo e grita-se a cada gol. O churrasco e o futebol são para os brasileiros "os dois elementos do fim de semana" e não se podem separar.

O que conservar e o que se pode deixar ao fazer na sua cozinha

Ao fazer churrasco fora do Brasil, a primeira dificuldade é "não ter o mesmo equipamento que lá". Poucas casas têm uma grande churrasqueira de carvão no quintal, e num apartamento a fumaça é um grande problema. Além disso, a picanha costuma ser encontrada só em açougues ou on-line, e no supermercado é preciso substituí-la por rump ou patinho em peça.

Por isso é mais realista conservar o esqueleto do sabor do que tentar que tudo seja igual ao de lá. Não cortar fina demais a carne grossa, não tirar demais a gordura antes de assar, cobrir com sal grosso logo antes e tirar o excesso de sal, e deixar descansar a carne assada. Se respeitar essas quatro coisas, mesmo sem espetos, mesmo com o método em duas etapas de grill do forno e forno, aproxima-se do aroma da carne do churrasco.

Por outro lado, há coisas que se podem deixar. A costela assada durante muitas horas é demais para uma refeição familiar, então primeiro limite-se a um rump ao estilo picanha e à fraldinha. Se não puder usar carvão, doure primeiro a superfície em fogo forte e termine depois no forno até o centro. Se não houver farinha de mandioca, crie a textura com uma farofa de farinha de rosca. É mais fácil repetir no fim de semana seguinte se respeitar a mesa de lá e deixar numa forma que se possa manter na sua cozinha.

A cultura do churrasco pelo mundo

Com os emigrantes brasileiros, o churrasco se espalhou pelo mundo todo. Nos Estados Unidos teve sua própria evolução como "Brazilian steakhouse", e nas churrascarias de luxo pode-se desfrutar de menus com mais de 15 tipos de carne. Também há churrascarias no Japão, onde se pode viver o churrasco autêntico em estilo rodízio.

Como também se apresenta no resumo da culinária sul-americana (em japonês), a cultura alimentar da América do Sul atrai a atenção mundial. Junto com as empanadas da Argentina, o ceviche (em japonês) e o lomo saltado do Peru, o churrasco segue ganhando presença como uma das caras internacionais da culinária sul-americana.


Para cozinhar em seguida

Perguntas frequentes

Uma festa de churrasco: mesa com carne assada e cerveja, e um ambiente animado
O churrasco é mais divertido quanto mais gente se junta. Respondemos também às perguntas mais simples

Se não se encontrar a picanha, qual é o substituto mais prático?

A peça de rump é a opção mais próxima. A picanha se situa na parte superior do rump, e o sabor e a textura são parecidos. Escolha no balcão de açougue do supermercado a que seja vendida como "rump" ou "patinho em peça". Se tiver pouca gordura, untar a superfície com azeite de oliva antes de assar dá um efeito de hidratação no lugar da gordura. Na comunidade de churrasco dos Estados Unidos também é popular o "tri-tip" como substituto, mas é um corte difícil de conseguir.

Dá para fazer sem espetos?

Sim, dá para reproduzir o sabor do churrasco sem espetos. Asse no "estilo bife" diretamente sobre uma frigideira ou a grelha. Corte a carne grossa (de 4 a 5 cm), cubra com sal grosso, doure em fogo forte e termine devagar em fogo baixo. Mas o prazer do "rodízio" (assado repetido) é alcançado mais facilmente com espetos, então convém ter alguns de metal para poder cortar a carne com comodidade.

Como fazer churrasco em ambiente interno sem fumaça?

O método em duas etapas de grill do forno e forno é o que menos fumaça produz. O grill do forno tem exaustão de fumaça, então dispersa menos fumaça do que uma frigideira. Depois de dourar a superfície passa-se ao forno, de modo que a fumaça se gera só nos primeiros 5 ou 6 minutos. Ponha o exaustor no máximo e abra um pouco a janela para criar corrente, e evitará que a fumaça encha o ambiente.

Que bebidas combinam com o churrasco?

No Brasil o clássico é a caipirinha (um coquetel de cachaça, o destilado de cana, com limão e açúcar), mas a cerveja é uma opção fácil de conseguir. Principalmente as tipo pilsner combinam com as carnes gordurosas, e o gás refresca a boca. Entre os vinhos tintos, ficam bem os sul-americanos como o malbec argentino ou o cabernet sauvignon chileno. Sem álcool, com guaraná (o refrigerante brasileiro) ou chá mate se aproxima o clima da mesa. Assim como com o lomo saltado combina um vinho peruano, com a culinária sul-americana é natural acompanhar com as bebidas daquela terra.

Como se conservam e se reaproveitam as sobras?

A carne assada, depois de esfriar, embrulha-se em filme plástico e aguenta 3 dias na geladeira. No freezer, 1 mês. Uma forma fácil de reaproveitar é cortar em fatias finas para sanduíches: com pão francês, carne em fatias, vinagrete e alface faz-se um "sanduíche de churrasco". Também se pode picar e misturar com arroz frito ou usar de cobertura em saladas, e as sobras do churrasco são úteis também no dia seguinte. Combinam bem também numa salada temperada com cebola e vinagre.


Pratos da América Latina e do Caribe para acompanhar o churrasco

Numa festa com o churrasco como prato principal, se colocar também pratos da América Latina e do Caribe, há mais variedade de pratos. Estas são combinações em que o peso do sabor não se sobrepõe.

De entrada vai bem o ceviche (em japonês) do Peru (marinado de peixe e frutos do mar). Sua acidez fresca abre o apetite para a carne que vem. A empanada da Argentina (o pastel de carne) também é fácil de manejar como entrada que se come com a mão.

Junto com o churrasco como prato principal, se preparar uma panela grande de feijoada, tem um cardápio completo de culinária brasileira. A cena da feijoada fervendo enquanto se assa a carne é o autêntico fim de semana brasileiro.

De sobremesa, uma salada com frutas tropicais cai bem. Corte em cubos abacaxi, manga e mamão e esprema limão, e tem uma sobremesa fresca que vai muito bem depois da carne.


Fontes

Enciclopédias e informação geral:

Receitas e técnicas de cozinha: